Povos indígenas: imensa diversidade em muitas etnias

Rondon determina a valorização dos direitos originários dos povos indígenas, por meio da garantia de sua terra e do respeito à sua cultura. Ele censura a ação de invasores bandeirantes, escravagistas, exploradores e mercantilistas. No final do séc. XIX, quando atacado pelos Nhambiquara, retira-se, sem permitir revides. É nesse período que formaliza, em uma frase, o eixo do seu corpo de princípios. Segundo Esther Viveiros, Rondon passou a utilizar a expressão “morrer se preciso for, matar nunca” nas construções das linhas telegráficas de Cuiabá ao Araguaia (VIVEIROS, 1969, p.107 ).

Rondon em aldeia Nambiquara, 1908 | Luiz Leduc/Museu do índio/Funai)
Rondon em aldeia Nambiquara, 1908  |  Luiz Leduc/Museu do índio/Funai)
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Em 1910, articula a pacificação dos Kaingang, defendendo os ataques indígenas como resposta legítima às agressões sofridas por eles. Entre os Paresi, Rondon corporifica o mito das pedras como criação da humanidade: aquele que “Veio corrigir o mundo”. Ao percorrer o rio Juruena e encontrar e redistribuir os Paresi, Rondon recebe o nome de grande Amuri, “o que sai das pedras e o que determina onde se devia morar”.

Rondon com índios Paresi na cachoeira de Utiariti | Luiz Thomaz Reis/Museu do índio/Funai
Rondon com índios Paresi na cachoeira de Utiariti  |  Luiz Thomaz Reis/Museu do índio/Funai
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São os integrantes de tribos como Bororo e Paresi que auxiliam na construção das linhas telegráficas e na abertura de picadas para estradas num momento dramático dos trabalhos. Sem a ajuda deles, talvez a expedição não concluísse sua meta.