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Luta contra os confins

Nessas circunstâncias, impõe-se urgentemente dominar os “confins”, desbravar o “imenso vazio” (na verdade, repleto de fauna, flora, povos e culturas), “sair do abandono, do atraso”. Tenta-se exorcizar a praga do “de frente para o mar e de costas para o Brasil” (o que mobilizou também Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek a ocuparem as vastas regiões do Planalto Central).

Índios Urumi | José Louro/Museu do Índio/Funai
Índios Urumi  |  José Louro/Museu do Índio/Funai
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Esse sonho de mudança da capital do País vem desde a Inconfidência Mineira. José Bonifácio de Andrade antecede essa virada do olhar para o Sertão, que está nas origens da própria defesa dos povos indígenas e que influenciou Rondon, como relata o escritor Bandeira Duarte, em Rondon, o bandeirante do sec. XX:

“No dia 1.° de junho de 1823 o nosso grande estadista apresentava à Assembléia Constituinte os seus ‘Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil’, propondo os meios para conseguir isso. Pedia que se empregasse nessa tarefa:

1° — Justiça, não esbulhando mais os índios, pela força, das terras que ainda lhes restam e de que são legítimos senhores;

2° — Brandura, constância e sofrimento da nossa parte, visto que somos os usurpadores e que nos consideramos cristãos;

3° — Abertura de comércio com os índios, trocando objetos mesmo com prejuízo nosso;

4° — Procurar, com dádivas e ensinamentos, fazer a paz com os índios inimigos, mostrando a nossa civilização e os nossos costumes. As ideias de José Bonifácio não foram, porém, postas em prática.” (p. 16)

Nesse sentido, Frei Vicente do Salvador, entre os séculos XVI e XVII, escreveu: “Os portugueses arranham as costas feito caranguejos”, assim como Euclides da Cunha, em sua obra Os Sertões, de 1902, referia-se aos “mulatos neurastênicos do litoral”.

Grupo de alunos assistindo o hasteamento da Bandeira. Posto Indígena Simões Lopes, 1943 | Heinz Forthmann/Museu do índio/Funai
Grupo de alunos assistindo o hasteamento da Bandeira. Posto Indígena Simões Lopes, 1943  |  Heinz Forthmann/Museu do índio/Funai
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