O extermínio avançado

À época de Rondon, existiam, estimadamente, 300 povos indígenas e cerca de 1,5 milhão de indivíduos. Há 400 anos, havia 4 milhões, segundo o cálculo que Darcy Ribeiro chama de “demografia hipotética” no ensaio O Povo Brasileiro.

A mobilização contra o provável extermínio se dá em várias frentes. A proteção aos grupos indígenas no aparelho do Estado vai além da defesa romântica quando é criado o pioneiro SPI (Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais) em 1910. Na ciência, Roquette-Pinto, Oswaldo Cruz e Carlos Chagas enfrentam racionalmente o estigma do “povo indolente” colocando a tal “inferioridade” nas causas nocivas das desgraças geradoras de doenças. Mais tarde, Josué de Castro faria detalhadamente a relação da penúria social e doenças com a fome como verdadeiro eixo desse holocausto social.

Cacique Vegnon, Kaingang do Paraná, intérprete na pacificação dos Kaingang de São Paulo | Museu do índio/Funai
Cacique Vegnon, Kaingang do Paraná, intérprete na pacificação dos Kaingang
de São Paulo  |  Museu do índio/Funai

A Marcha para Oeste, de 1943, atualiza essa convocação para ocupar os sertões, promovida por Getúlio Vargas ao retomar, com o Estado Novo, muitos dos fundamentos em busca do país desconhecido.