O mestre do mato

A ação de Gomes Carneiro em defesa dos povos indígenas marca Rondon para sempre. Com esse “mestre do mato”, Rondon dá os primeiros passos na trilha que definirá sua vida. Foram 563 quilômetros de linhas telegráficas nos sertões. Em 400 quilômetros dessa trilha, viviam os Bororos. Entre postes e tarefas da primeira missão, Rondon reencontra as suas próprias origens e o despertar para a extrema riqueza de vida desses povos, vistos ainda como estranhos e ameaçadores pela sociedade brasileira.

Major Antonio Ernesto Gomes Carneiro | Museu do índio/Funai
Major Antonio Ernesto Gomes Carneiro  |  Museu do índio/Funai

Em 1893, trabalha na construção da linha telegráfica de Mato Grosso sob condições árduas de campo, materiais e subsistência. Tem o agravante de lidar com uma tropa instável e indisciplinada. Diante desse quadro, ocorrem episódios em que Rondon precisa recorrer a castigos para manter a ordem (tratados como métodos do Conde de Lipe, na “vara de marmelo”). Em 1894, é acusado pelo capitão Távora, comandante do 8.° Batalhão, por tais métodos, que o levam ao Conselho de Guerra, sendo absolvido posteriormente.

Muitos soldados foram convocados compulsoriamente (até como punição) a trabalhar nas linhas telegráficas. O trabalho era pesado e o território desconhecido e hostil. Os grandes fazendeiros e donos de seringais pressionavam as deserções, pois pagavam melhor que o governo. Além disso, desprezavam os povos indígenas, que “atrapalhavam” seus negócios. Daí a permanente tensão.

Picada aberta para instalação da linha telegráfica | Museu do índio/Funai
Picada aberta para instalação da linha telegráfica  |  Museu do índio/Funai
Zoom