Tolerância

Mesmo que, no Positivismo, sobressaíssem marcas mais definidas de autoritário elogio da razão, Rondon exerce suas práticas de maneira diferente. Em virtude de sua própria formação e relação com a natureza, guardava muitas atitudes emocionais e sentimentais que podem ter colaborado na busca de um caminho um pouco mais tolerante. Rondon reconhecia a pluralidade humana, marca principal da diversidade cultural. Seus valores humanistas, nesse aspecto, o distinguiam de um militarismo mais radical, em que armas submetem vontades.

Uma das contradições vividas por Rondon pelo fato de ser, ao mesmo tempo, positivista e militar, estava no fato de que a doutrina previa a inutilidade dos exércitos caso prevalecesse de verdade a fraterna união entre os povos. Comte, inspirado nos ideais da Revolução Francesa, previa abolir o próprio Estado-nação em nome de uma humanidade una e fraterna.

O lado favorável era que um Estado laico teria mais chances na luta para criar instituições próximas aos povos indígenas, menos pressionadas, em boa intenção e em tese, pelo poder religioso ou pelos governos estaduais. A construção dessas instituições, no entanto, seria difícil, e os seus desfechos desfavoráveis a esses povos–situação que persiste até hoje.